segunda-feira, dezembro 21

A casa do futuro

Quem trabalha com imóveis há muitos anos, como eu, percebe claramente que a escolha da moradia obedece a um padrão de comportamento ligado ao desenvolvimento da sociedade. Não me refiro aqui as questões econômicas, mas sim aos padrões de comportamento frente ao desenvolvimento dessa sociedade. A questão de segurança foi decisiva para que cidades como São Paulo tivessem um adensamento de prédios e de grandes condomínios e que nas últimas três décadas, fizeram o paulistano mudar de casa para apartamento. Não é preciso ir muito longe para constatar que a maioria de nossos avós residiam em casas e nossos pais (nascidos nessas casas) mudaram-se para apartamentos, que a vida moderna julgou mais seguro.

Já na primeira década do século 21, o fluxo é outro: a logística! Hoje as novas familias procuram bairros mistos, de usos residenciais, comerciais e de serviços para fixar sua residência, tentando assim, evitar o enorme desperdício de tempo que se tem, com a falta de opções de transporte e o pesado trânsito, mesmo nas curtas distâncias.

A terceira onda que está por vir e que, na minha opinião, será um dos maiores fluxos migratórios do mundo é a questão ecológica. Um dos maiores problemas da humanidade atual é a escassez de energia limpa e o destino do lixo urbano. Muitos arquitetos, construtores e pessoas ligadas ao mercado imobiliário buscam soluções para essa nova realidade. Em São Paulo já existem projetos embrionários do que será esse novo mercado. Algumas empresas da industria da construção civil já adotam o conceito de Green Building, onde materiais aplicados na obra e projetos de arquitetura sejam ecologicamente corretos.

Com a tecnologia já disponível no momento é possível imaginar como será essa "casa do futuro".

Na minha opinião, na construção civil haverá reduzida perda de materiais, os quais serão, na sua maioria produzidos pelo reaproveitamento de resíduos, como tijolos ecológicos, ou renováveis, como madeiras de reflorestamento, MDF, etc.

A casa do futuro terá equipamentos de alta eficiência energética, como ventilação natural cruzada em todos os ambientes, além do uso de energia renovável, como painéis solares. Os efluentes também serão reaproveitados, inclusive as águas da chuva. Outro item de extrema importância será o paisagismo com vegetação nativa que proporcionará a diminuição de insolação indesejável, como os telhados ecológicos.

Recentemente a rede inglesa BBC foi além e fez um documentário, ligando tecnologia à ecologia que fez parecer coisa de criança a famosa casa do Bill Gates. Nessa nova era, "a casa inteligente" iria produzir sua própria energia e em caso de férias, num sistema híbrido, ela venderia essa energia para as empresas de geração. Lógico que tudo isso gerenciado por um poderoso computador... Enfim, quem viver verá, a era da tecnologia voltada para qualidade de vida. Pelo menos é o que alguns imaginam.

Feliz, 2010, 11.... 50, 60, 90 e muitos outros anos para todos nós!