sexta-feira, março 23

O peso (no bolso) das vagas de garagem

O preço de uma vaga na garagem pesa no bolso do comprador de imóveis da cidade de São Paulo, segundo pesquisa feita pela Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo).

De acordo com a pesquisa, até os anos de 1930, era praticamente zero a destinação de vagas de garagens nos edifícios da cidade. No entanto, com aumento expressivo no número de veículos com relação à população da capital paulista, os prédios começaram a apresentar uma proporção de 6,5% de área de vagas de garagem em relação à área total construída.

Essa proporção foi crescendo com o passar do anos. Em 1960, o índice era de 13%, em 1985, de 22,5%, e em 2001 atingiu seu patamar máximo, de 29,59%, estacionando em torno de 25% entre os anos de 2002 e 2010.

Apartamento sem garagens
Em 2010, foram lançados 1.374 edifícios sem garagens , o que representa apenas 3,7% do total ofertado naquele ano. Já o custo para adquire um apartamento com garagem é alto.
“Vamos supor que um apartamento de 100 metros quadrados custe R$ 700 mil. O comprador está pagando a área privativa, as áreas comuns e mais 30 metros, em média, para o automóvel. Cerca de um terço da área total comprada é estacionamento”, explica o administrador de empresas, responsável pela pesquisa, Hamilton França Leite Junior. Nessa caso, as vagas representariam o equivalente a R$ 210.000,00! Segundo Leite Junior, esse custo adicional somente será reduzido quando a cidade tiver um sistema de transporte público de qualidade.
Para ele, a manutenção do crescimento da área para estacionamento na mesma proporção registrada entre 2006 e 2010 representaria uma diferença de aproximadamente 600 mil metros quadrados de área para automóveis que poderiam deixar de ser construídas, em relação a um cenário otimista, de queda acentuada desta relação, apenas no ano de 2020. “Isso significa R$ 500 milhões que poderão ser economizados, apenas naquele ano, se houverem as condições necessárias para que a redução desta relação possa acontecer”, explica.

Bons exemplos
Em cidades como São Francisco, Nova York e Londres, as áreas destinadas para os automóveis nas garagens dos edifícios é determinada por lei, de acordo com a infraestrutura viária e de transporte existente na região. Com isso, alguns edifícios têm muitas vagas e outros nenhuma.
Em São Paulo, mesmo com uma lei que regulamente esse espaço, é raro encontrar um empreendimento sem garagem.
Para Leite Junior, a solução estaria em uma revisão da lei, que atualmente determina limites mínimos, para uma lei que limitasse as áreas onde devem ser construídas garagens, assim como ocorre em outras cidades fora do Brasil.
“Às vezes, por causa da lei, o empreendedor é obrigado a construir vagas em um local em que ele não precisaria fazê-las, como nas regiões próximas de estações de metrô. No exterior é comum modernos prédios comerciais sem vagas”, ressalta.
Medidas como essa ajudariam nas questões de trânsito da cidade, pois iria motivar as pessoas a usarem o transporte público.
Fonte: InfoMoney

Lopes lucra mais em 2011, mas BR Brokers tem vendas maiores

A concorrência das duas maiores empresas de intermediações imobiliárias do país – Brasil Brokers e a LPS Brasil, conhecida como imobiliária Lopes – segue acirrada. No ano passado, a Brasil Brokers vendeu mais que a concorrente, mas foi a Lopes que apresentou melhor desempenho que a concorrente em lucro líquido e receita líquida. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Lopes, Marcello Leone, os melhores indicadores para avaliar a companhia são a receita líquida e o Ebitda, que “representam porte e tamanho”. Já o diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Brasil Brokers, Álvaro Soares, afirma que o critério de comparação mais indicado é o de vendas.

No ano passado, a Lopes registrou lucro líquido depois da participação dos minoritários de R$ 142,6 milhões. Se considerado o lucro antes da participação dos minoritários, o valor foi de R$ 150,6 milhões. O lucro líquido da Brasil Brokers foi de R$ 106,6 milhões. A Lopes registrou receita líquida de R$ 432,4 milhões, em 2011, e a Brasil Brokers, de R$ 407,711 milhões. A Lopes informou geração de caixa medida pelo Ebitda de R$ 165 milhões, superior aos R$ 151,66 milhões da concorrente. A margem Ebitda da Lopes foi de 38,2%, superando o indicador de 37,2% da Brasil Brokers.

Aquisições continuam no radar das duas concorrentes, principalmente no segmento de usados
O critério utilizado pela Lopes para calcular o Ebitda exclui a linha outras despesas (receitas) operacionais, que considera efeitos não caixa do IFRS como indicador de desempenho. Conforme a Economática, se o cálculo tivesse sido feito nos módulos tradicionais, o Ebitda da Lopes teria sido de R$ 138,5 milhões, e a margem Ebitda ficaria em 32%. Nesse caso, o desempenho da Brasil Brokers teria sido melhor nos dois indicadores.

Soares, da Brasil Brokers, ressalta que é preciso ponderar que o desempenho dos indicadores financeiros da Lopes são influenciados pela operação que a concorrente possui com o Itaú Unibanco. Na receita bruta da Lopes em 2011, de R$ 484,2 milhões, parcela de R$ 14,5 milhões refere-se à apropriação de receita da operação Itaú. Em parceria com o banco, a Lopes tem a CrediPronto!, que atua em financiamentos imobiliários, com foco no mercado de imóveis usados. No ano passado, o financiamento feito pela Credipronto somou R$ 1,271 bilhão.

“A Brasil Brokers é a maior empresa do segmento do país, considerando a operação de intermediação imobiliária”, diz Soares. No ano, Brasil Brokers ficou com a liderança em vendas contratadas, com R$ 19,4 bilhões, com 74,130 mil unidades comercializadas. A Lopes vendeu R$ 18,2 bilhões, com 63,171 mil unidades. No quarto trimestre, porém, a relação foi inversa: Lopes comercializou R$ 5,471 bilhões, e Brasil Brokers, R$ 5,176 bilhões.

De outubro a dezembro de 2011, a Lopes teve o melhor desempenho também nos valores informados em vendas, receita líquida, Ebitda e lucro líquido, o que ocorreu, segundo Leone, devido à concentração de 39% dos lançamentos no período. Os lançamentos do ano passado se concentraram nos últimos meses devido à sazonalidade do setor e à demora na liberação de licenças para os projetos. Na Brasil Brokers, 34% dos lançamentos ocorreram no quarto trimestre.

No ao passado, a Brasil Brokers lançou R$ 37,858 milhões, superando os R$ 31,820 milhões da concorrente Lopes.
Nenhuma das empresas informou ter sentido retração na demanda neste início de ano. Em relação aos preços, a expectativa tanto de Lopes e quanto da Brasil Brokers é de estabilidade no decorrer de 2012. Segundo Soares, aumentos acima da inflação podem ocorrer no Rio de Janeiro e em regiões específicas de São Paulo, como Itaim, Moema e Vila Nova Conceição, onde a disponibilidade de terrenos é menor.

Aquisições continuam no radar das duas companhias, principalmente no segmento de imóveis usados, mas compras de empresas focadas em unidades novas podem ocorrer.

Chiara Quintão
Fonte: Valor